Depois que os epistemólogos (KANT et alli) estabeleceram que todo o nosso conhecimento é fruto de nossos conceitos, não há como excluir o mundo exterior da matéria de sua natureza virtual, de tal forma que a sua colocação como que se opondo ao mundo espiritual resulta como uma falácia que devemos evitar. Dessa forma, tudo o que nós concluímos da Natureza são apenas conceitos que nossa mente cria, no afã de compreender nossa realidade existencial.
Sem dúvida, temos de reconhecer que a ciência tem contribuído bastante neste esforço de chegar a uma conclusão semelhante, ao verificar, p. ex, a natureza conceitual do mundo microcósmico, no qual os átomos se comportam como que obedecendo nossos critérios mentais, o que acaba demonstrando que a prioridade do Espírito no cosmos é fundamental em sua sustentação racional.
Dessa forma, nosso entendimento em que consiste nosso conceito tradicional de matéria precisa ser modificado, por não possuir as características pressupostas, não mais como substâncias, mas sim como um contexto de energias diferenciadas locais e possuidoras de reações in-formatizadas, específicas e próprias em sua funcionalidade.
Pois que os elementos microscópicos não morrem, nosso conceito de morte natural necessita ser modificado, pela sua permanência sucessiva em diferentes corpos, guardando em si as memórias de suas vivências anteriores, significando uma imortalidade evidente em suas experiências vitais. Dessa forma, passamos a ser imortais em nossa substância corporal, mesmo que de forma apenas fideísta.
Como conclusão, nosso corpo perde a sua consistência individual, passando a pertencer ao mundo etéreo da espiritualidade coletiva, o que demonstra a hegemonia do sopro divino em nossas vidas individuais, como reza o propósito de nossas orações dominicais: ‘Fazei de nós um só corpo e um só Espírito’.
Dessa forma, essa confluência do mundo sensível às nossas prédicas devocionais representa uma coincidência prefixada, demostrando uma unidade de propósitos que se colocam numa dimensão transcendente, demonstrando assim como nossa fé está de acordo com a experiência empírica. Pois que há uma coincidência entre nossa realidade física e o mundo da fé, importa reconhecer o primado de nosso Espírito como condicionante de tudo o mais.