A transformação dos significados

Um dos mais fortes indicadores de nossa espiritualidade é a presença em nossa mente da capacidade de transformar significados, modificando ou criando novos sentidos aos fatos ocorridos em nossa vida ou na História, como acontecimentos que acabam por alterar o seu destino.

Este fato é um dos mais eloquentes a denunciar a natureza específica da espécie humana, em sua capacidade espiritual, que transcende a materialidade de nosso corpo, transformando-o em depositário de um Espírito cuja natureza é estranha à sua natureza animal. Dessa forma, podemos citar algumas transformações de sentido que acabaram por modificar nossa vida de uma maneira radical, passando a considerá-la como dotada de objetivos além de seus aspectos materializados.

Para começar, o fato de que somos possuidores de uma capacidade espiritual transcendente, que ultrapassa o sentido natural de nascer e morrer, por podermos, assim, vislumbrar um futuro de eternidade imanente em nosso existir, o que nos enche de esperança quanto ao sentido que devemos imprimir em nossos atos, tornando-os compatíveis àqueles propósitos.

Para tanto, importa-nos identificar e reconhecer a herança histórica que nos tem sido revelada, no sentido de alcançar o objetivo primário de nosso existir, que consiste em alcançar uma eternidade serena, além do tempo e do espaço, inserida que está em nossa subjetividade mais autêntica.

Para toda a humanidade, o Cristianismo se nos oferece como um propósito adequado às nossas deficiências civilizatórias, que anseiam de forma peremptória que a humanidade alcance uma maneira civilizada de existir, na paz e na prosperidade, o que até agora não conseguiu.

Em conclusão, o que a nós competiria fazer para contribuir com tais objetivos tão importantes? Em primeiro lugar, nossas ações devem ser tanto mais quanto possível, compatíveis com os objetivos cristãos, o que significa agirmos de forma desinteressada de objetivos materiais, por estarmos destinados a viver com vistas ao nosso destino que não é deste mundo (Jo 18, 36). Dessa forma, podemos concluir que a transformação dos sentidos de nossos interesses primários devem ser aqueles destinados a valorizar o sentido transcendente de nossas vidas, de forma que ela possa atingir a concretização dos valores que justifiquem nosso existir.