A compreensão do sofrimento

O sofrimento não é uma coisa, mas um estado e por isso, ele não possui consistência ontológica. Sua virtualidade é decorrência das alterações cerebrais que ele nos causa e por isso, seu sentir é relativo. A caracterização do ser humano como corpo, psique e espírito poderá contribuir em nossa compreensão das diversas origens de nossos sofrimentos como resultantes de condições próprias, diante dos quais devemos tomar atitudes de reflexão e comedimento.

Zenão de Cítio, fundador do Estoicismo

Dessa forma, é importante considerar que nossas atitudes diante do sofrimento são completamente diferentes da existente entre os animais, que são passivos diante das ocorrências sofridas, por não serem capazes de pensamento. Assim, a capacidade humana de reflexão sobre o sofrimento se modifica, sofrendo do exagero em considerá-los, seja como pagamento da condição do existir, seja como resultado de nossos pecados, seja como resultado das condições que a Natureza nos impõe.

Assim, no que diz respeito aos sofrimentos de nosso corpo, trata-se de um ser orgânico, sujeito às vicissitudes de seu mau funcionamento, acarretando síndromes dolorosas, as quais só nos cabe tudo proceder de forma que elas não aconteçam, pelo exercício constante de uma rotina que procura evitá-las de todas as formas.
Por outro lado, como se sabe, nosso corpo é apenas a morada de fenômenos psíquicos de uma natureza dependente de nossa biologia, uma consequência que supõe a integridade de nossas condições orgânicas, mas que ultrapassam de muito as suas condições primárias advindas de seu funcionamento inadequado.

É nossa psique que permite identificarmo-nos como um eu, autoconsciente, nos enchendo de responsabilidade pelo que fazemos, face ao nosso livre-arbítrio. Criando um universo de vontades, torna-nos oscilantes em nossos atos, que acabam por possuir significados que parecem como que determinados por forças exteriores.
Por fim, a partir de nossa natureza como possuidora de um Espírito que nos ultrapassa, nos sentimos abertos a uma dimensão transcendente, nos sugerindo perspectivas de superação de todos os nossos limites, pelo descortínio de perspectivas que não são naturais, criando um mundo além de todos os nossos limites. Dessa forma, passamos a nos sentir como superadores de todos os tipos de sofrimento, como etapas necessárias a nossa evolução.