Arqué e o nous de Anaxágoras

Dentre os filósofos pré-socráticos, ANAXÁGORAS de Clazômenas (sec V a. C), foi o primeiro a conceber que a transformação do caos em cosmos  se deu pela ação de uma força organizadora (arqué) que ele denominou o nous, palavra sânscrita que significa ESPÍRITO. Sem dúvida, podemos constatar, pela ciência, que a ordem reinante no Universo, é cercada por um mistério transformador, só concebível se ficarmos convencidos de  que ela só ocorreu, de uma forma inusitada, inesperada, transformando as  homeomerias ou  átomos em macrocosmo.

Anaxágoras

Por meio de saltos quânticos, o surgimento do novo foi aparecendo de uma forma não determinística, não sujeita às relações de causa e efeito, o que nos torna compreensível a imensa riqueza que possuem o micro e o macrocosmo, abarcando um espaço de tempo permeado por séculos de intervalo. Nossa mente só aceita estas transformações se elas vierem a acontecer pela ação de algo estranho à própria característica das coisas.

A inserção do nous em nossa mente ocorre de uma forma miraculosa, que o Livro do Genesis descreve como sendo um sopro que JAVEH  insuflou no boneco de barro que havia moldado como sendo de Sua Semelhança (Gen, 2, 7). De fato, só uma explicação espiritual pode dar cumprimento a tamanha diferença entre nosso corpo e suas potencialidades espirituais.

Em que consiste, pois, este nous divino responsável pela eclosão de um Universo organizado convivendo no paradoxo entre a permanência e a transformação, sem alterar o seu equilíbrio? Uma análise natural de suas características nos indica que é Ele que nos proporciona sermos capazes de criatividade, racionalidade, sentimento e liberdade, nos colocando como partícipes de Seu Processo inovador.

Não obstante, qual seria a  característica mais importante do NOUS? Sem dúvida, todas são importantes, dependendo das condições sugeridas pela personalidade de cada um, o que acaba envolvendo outro mistério, aquele que define os caminhos de nosso destino, no correr de nossa vida.

Como responsável pela nossa personalidade, sejamos dóceis ao que o Espírito nos reserva em termos de desempenho, que, segundo as Escrituras, já estaria traçado, antes mesmo de nosso nascimento. Contudo, sejamos gratos por tudo o que a Divina Providência já nos reservou no transcorrer de nossa vida presente.