Bem-aventurados os pobres em espírito

Os pobres em espírito são como as crianças, que não apresentam nenhuma preocupação, ou como os adultos, em sua aceitação incondicional às exigências da fé. No Sermão da Montanha, São Mateus (5,3-12) coloca as bem-aventuranças como uma síntese dos ideários de CRISTO ao propor, aos seus discípulos, os verdadeiros caminhos da salvação, neste mundo eivado de ganância e egoísmo. São mensagens claras, mas verdadeiramente revolucionárias. O Papa Bento XVI em sua obra Jesus de Nazaré (SP, Ed Planeta do Brasil, 2007) nos dá importantes contribuições na elucidação dos sentidos que as expressões pretendem atingir.

Santo Antão

Dessa forma, no que diz respeito a primeira das recomendações, “bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o reino dos céus”, trata-se primeiramente de uma alusão histórica ao fato de que os judeus, escravos libertos da Pérsia, realmente estavam numa situação de extrema pobreza material, pela impossibilidade de possuírem uma nação estruturada e devidamente organizada.

Ressalte-se, contudo, que o cristianismo, em sua afirmação histórica, imitando a pobreza de seu fundador, sempre teve na pobreza as suas manifestações mais autênticas, na vida santificada de STO ANTÃO e SÃO FRANCISCO DE ASSIS, dentre os milhares de fiéis que são perpassados pela sua História. Contudo, a expressão ‘pobres em espírito’ pode se referir também às pessoas que mesmo possuindo bens, não se tornam escravos deles, distribuindo-os com liberalidade.

Contudo o verdadeiro sentido da pobreza espiritual se situa em nossas atitudes de humildade e perseverança em nossas atitudes diante da fé, que nos pede apenas sermos pacíficos em nossas reações diante dos males do mundo, que nos assustam, mas que não nos devem fazermos vacilar diante da Providência Divina, uma confiança inabalável em Suas Graças, que preservam a nossa vida.

Dessa forma, são felizes os pobres em espírito, pela confiança que depositam em sua fé, que não é deste mundo, mas que repousa nos indícios fortes da presença em nós de Algo que ultrapassa a nossa fragilidade, pela garantia de testemunhos reais de uma sobrevivência eterna que perdura além de nossa experiência mortal. Assim, a presença do REINO de DEUS oferecida em conjunto através do Sermão da Montanha, se constitui num caminho concreto de salvação individual que nossa vida, exercida no ambiente simples da nossa espiritualidade, é o veículo mais seguro para a obtenção de nossa felicidade.