Literatura ou obras de convicção

O fenômeno literário está submetido, desde o seu aparecimento no mundo grego com HOMERO e HESIODO, a um processo semiológico como uma mensagem recheada de nuances telefinalistas, dando-lhes, portanto, um perfil claro de convicção. Dessa forma, as obras mais importantes da literatura mundial são aquelas que se destinam apresentar um perfil significativo de substância, como a Bíblia Sagrada, o livro de James Joyse (Ulisses) e o Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust.

Antoine de Saint-Exupéry

Semiólogos de renome, como Ferdinand de SAUSSURE e Chales Sanders PEIRCE perseguiram entender o alcance das expressões literárias, o primeiro caracterizando a sintática, a semântica e a pragmática dos discursos, cabendo a Peirce as pesquisas sobre a estrutura semiótica dos relatos. Dessa forma, podemos verificar que há, em cada obra literária, uma mensagem implícita em seus conceitos, destinada a nos conduzir a um objetivo claro de significação.

O livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Sainte Exupéry tornou-se um clássico na literatura a partir de sua mensagem recheada da compreensão, tolerância e amor, nos estimulando à prática do bem, com forte pendor pedagógico a nos compelir para a felicidade, acessível a todos os despidos de preconceitos.

Dessa forma, cercear os textos literários por preconceitos ideológicos passa a representar uma censura descabida, incompatível com a verdade que nos liberta. Isto seria como alimentar a caverna de PLATÃO em sua obscuridade teimosa em nos conservar na ignorância e nas trevas. E, infelizmente, ainda podemos verificar como são amplos os seus efeitos, pelo domínio das fake news que dominam os meios de comunicação.

Assim, apesar do progresso, e justamente por causa dele, estamos todos imersos num mundo de mentiras e falsas notícias, nos impregnando de desconfiança a respeito de tudo, uma provisoriedade que acaba por destruir os alicerces de um mundo que nos parecia consistente.

Em conclusão, a literatura como arte pode nos parecer útil nesse trabalho de sustentação dos nobres ideais que devem gerir a vida social, na sua procura e perseguição permanente por mensagens de conteúdo Para tanto, que seja exercida de forma que a sua liberdade não seja ofuscada por preconceitos menos nobres.