Metaversos do saber

KANT, professor de Lógica, célebre pensador alemão que viveu no sec XVIII, sentiu a diferença que existe entre aquilo que nós percebemos pelos nossos cinco sentidos, que ele chamou de fenômeno, consolidando o sentido da palavra grega, phainomenon, como aquilo que aparece, reservando a palavra nôumenon para a essência ou o que a coisa é (o nous de ANAXÁGORAS).

Immanuel Kant

Contudo, segundo KANT, o ser humano não consegue, por seu conhecimento, alcançar as essências das coisas, que nos são inacessíveis. Não obstante, na Crítica da Razão Pura, criou os juízos sintéticos a priori, uma forma paralela de obtenção dos juízos universais e, portanto essenciais, salvando assim a capacidade humana, por seu conhecimento, de atingir as essências.

Em prosseguimento, ele faz a distinção entre juízos analíticos, que são aqueles obtidos a priori, por dedução lógica. Assim, afirmar que o quadrado tem quatro lados é um juízo analítico, obtido pelo desdobramento tautológico do sujeito na obtenção do predicado. Já os juízos sintéticos são obtidos a posteriori, depois da observação sensível. Assim, afirmar que o sol nascerá amanhã é uma previsão sensível, que poderá não acontecer.

Daí a diferença crucial entre os dois juízos, cuja distinção essencial repousa na consistência universal dos juízos analíticos (a priori), enquanto os sintéticos são a posteriori, demandando uma ocorrência que poderá não se dar. Contudo, só os juízos sintéticos são criativos, enquanto os analíticos são puramente tautológicos, implicando o que nós já sabíamos com antecedência, por dedução lógica.

Em conclusão, KANT demonstra que nos é impossível não atingir a metafísica, cujas críticas precipitadas lhe atribuem a pecha de tê-la impossibilitado, o que não é verdade, pois ele apenas ressaltou como é difícil, pelo conhecimento sensível, obter a consistência das ideias universais. Trata-se aqui, de um exercício crítico compatível com a natureza de nosso espírito, que reserva para si o privilégio de que alçar aos arquétipos da realidade só permitida a quem se afasta do mundo sensível. TEILHARD DE CHARDIN, paleontólogo jesuíta, concebe a noosfera como o advento de uma espiritualidade universal sob a égide cristã, dentro de um futuro só possível pela graça concedida pelo Espírito Paráclito.