Os algoritmos na obtenção da fé

A partir do conceito de algoritmos, ou seja, os processos dinâmicos que orientam a consecução de qualquer tarefa, (como no caso da combinação dos ingredientes de um bolo), ou em matemática (os elementos que estabilizam as relações), podemos verificar que, no caso da obtenção de nossas crenças, a partir de suas dimensões transcendentes, inclui também mecanismos que se enquadram como um esforço combinado.

“Algoritmo é a lógica da programação”, por Al Khwarism, matemático árabe do séc. IX

Dessa forma, em princípio, nossa fé se desperta a partir de nossas limitações existenciais, provocadas por meio de nossas inspirações espirituais, que nos incitam vislumbrar outra realidade além dessa proporcionada por meio de nossos cinco sentidos. É um mundo virtual, obtido por meio de intuições etéreas, perceptíveis apenas por meio de nossa inteligência abstrata.

Contudo, podemos verificar que os apelos de nossa fé são altamente favoráveis à completude de nossa felicidade existencial, dando sentido a nossa passagem pelo mundo vivente, que não é produto de um mero acaso, mas que se sustenta através de um telefinalismo evolutivo, fruto de uma iluminação inerente, responsável pela sua eclosão.

Contrario sensu, grande número de pessoas sempre se encontraram condicionadas a  suportar a vida ou a morte de uma forma natural, não vendo neles qualquer percalço que as possa colocar fora dos padrões da acidentalidade natural. Neste caso, não haveria a necessidade de apelar por fatores que seriam imprescindíveis para justificar nossa precária condição humana.

Não obstante, as diferenças entre ser um ateu e um crente se tornam notáveis, em termos de significação de nossa vida, que nos permite, por meio da fé, alcançarmos as dimensões etéreas que condicionam a existência de tudo e a justificação de nossa presença no mundo exterior, como uma graça especial.

E, por meio da Revelação, ficarmos cientes de que a presença do mal entre nós é resultado de nossas atividades culturais, impregnadas que estão por todas as formas de indiferença quanto a seus resultados prejudiciais a todas as pessoas. Dessa forma, diante da complexidade dos algoritmos em nos convencer sobre a utilidade da fé e seus efeitos benéficos para nós e para toda a sociedade, o recurso final será nosso apelo a uma graça divina para que venha nos salvar diante de tantas perversidades atéias.