Por que existe algo em vez de nada?

A pergunta tem sido objeto da preocupação de muitos filósofos, desde que o ser humano se constituiu com capacidade espiritual para perguntar e as respostas encontradas têm sido bastante contraditórias. Em vista disso, um repórter de televisão reuniu um cientista, um monge budista e um padre dominicano para apresentar seus argumentos a respeito.

Gottfried Wilhelm Leibniz

Dessa forma, pelo ponto de vista da ciência, o aparecimento do Universo é resultado de flutuações quânticas aleatórias, como acontece no microcosmo, no qual o surgimento de partículas e suas antipartículas acontece de uma forma espontânea. Contudo, é bom lembrar que mesmo as flutuações quânticas ocorrem de uma forma determinada, segundo a famosa fórmula do cientista ERWIN SCHODINGER. Dessa forma, o chamado misticismo quântico surge a partir da ocorrência do novo, imprevisto e indeterminado.

Já o monge budista, sorridente com sua convicção, tem certeza que o Universo sempre existiu, pela condição de nulidade do nada, que jamais dá origem a qualquer coisa. Dessa forma, não adianta inventar qualquer natureza de causa, pois do nada nunca sairá nada. Para ele, o Nirvana não é um nada, mas se constitui como a plenitude da paz na eternidade, depois de sucessivas vidas.

Por último, o padre dominicano assegura que pela lógica, tudo deve ter um começo e este início, no caso do Universo, implica sua fonte transcendente, pelas condições frágeis de sua existência, que não apresenta condições de autossuficiência. Dessa forma, a existência de DEUS como seu Criador, é a hipótese mais coerente, dadas as condições complexas que são exigidas para o surgimento de um Universo, que pela sua grandeza, só por Ele, deve a sua origem. Isto vem sendo confirmado pela tradição evangélica no correr da História, confirmando uma evolução espiritual cada vez mais concreta. O primado é do Espírito.

Em conclusão a pergunta se nos apresenta como uma contradição conceitual, implicando uma relação de duas coisas que se colocam como antípodas em nível de significação, opostas desde a sua origem. Ao pensamento humano, torna-se difícil evitar sofismas ou os argumentos falsos que afligem nossos processos comunicativos. Dessa forma, não há como relacionar o ser com o não ser, por estarem em completa dessintonia com o que nossa intuição percebe de maneira tautológica: o ser é, o não ser não é.