Bem-aventurança mística

Submersos nas profundezas de nosso interior, a voz do silêncio não é feita de som, mas de enlevo. É fenômeno que não é sensível, intelectual ou racional e significa a presença transcendente, o momento místico em que fechamos nossos olhos e, passamos a sentir a presença de Alguém que é a causa de todo o existente.

Santa Teresa D’Ávila

Este é um momento excepcional em nossa vida, que afastado de todos os interesses e relações, nos aproxima de um vazio que é pleno, dentro do qual encontramos a inspiração da eternidade. ELE está em nossa mente como um sinal silencioso, inefável. Neste momento nossa mente, por meio de um contacto místico, sente que tudo tem sentido, por se encontrar na presença viva do Criador, fonte de nossa vida e de nossa existência, com tudo que ela inclui como momento sagrado.

Tudo começa a nos transparecer reflexo de um projeto inteligente, bem pensado, no qual a presença humana é uma dádiva concedida, a fim de promover, com sua espiritualidade, o futuro dos fins promissores da criação, com o nosso destino guiado por Aquele que nos ama.

ELE está sempre disponível para nós, bastando apenas que estejamos afeitos ao seu contato silencioso, abrindo nossas inspirações transcendentes, pois ELE é a fonte de todo o existir, ao criar um Universo do nada. A partir de nossas orações, podemos sentir Sua presença em toda parte, imanente e transcendente a nós e a toda a realidade.

Dessa forma, incentivar a prática do silêncio em nossa vida diária representa um salto de qualidade que a civilização não deveria dispensar, por ser um instrumento de revitalização em nossa rotina, comprometida que se encontra por muitos derivativos que não possuem nenhum significado duradouro.

Assim, acostumarmos a acolher a voz do silêncio é, pois, uma prática benfazeja em nossa rotina, que normalmente se encontra preocupada com outras coisas, insignificantes na moldagem de nosso correr de vida. O episódio bíblico ocorrido entre Marta e Maria na presença de CRISTO nos demonstra a prioridade que convém conceder á meditação, para garantir nossa felicidade interior (Lucas 10-38,42). Foram místicos notáveis STA TEREZA DE ÁVILA, SÃO JOÃO DA CRUZ e tantos outros, que nos demonstraram os fins transcendentes de nosso existir.