O conceito de causa é fundamental em nossa existência, por se constituir como uma tentativa de explicação para tudo que existe. Não obstante, sua natureza se torna obscura quando procuramos os limites de sua aplicação, quando referida seja à origem do Universo, seja quando referida aos motivos de nossos atos. Mais um conceito de natureza abstrata do que física, a noção de causa sofre os percalços de suas ambiguidades, tornando-se um ponto de discórdia entre muitos pensadores.

Aristóteles
ARISTÓTELES ficou famoso ao defender quatro tipos de causas: material, formal, eficiente e final, como uma abstração imperfeita de sua mente privilegiada. Contudo, faz-se necessária a distinção de causa no mundo micro e no mundo macrocosmo. Como se observa, o mundo das pequenas partículas desconhece o conceito de causa, pelo fato de que tudo nele surge espontaneamente, sem depender de condições prévias. Como exemplo, a transformação de hidrogênio e oxigênio em água se nos apresenta como um fenômeno quântico, alterando profundamente a natureza das substâncias anteriores, constituindo-se num fenômeno surpreendente, inteiramente criativo.
Já no mundo macro, a noção de causa surge a partir da capacidade de nosso espírito em sintetizar transformações, concebendo-as como relações de dependência, fato que DAVID HUME (sec XVIII) não reconheceu. Contudo, como existe uma correlação entre os dois mundos, o micro e o macro, o reconhecimento de causa pode ser considerado heurístico, como uma síntese mental, imitando o mundo quântico.
Isto se confirma pelo fato de que a Natureza desconhece a noção de causa, encadeando os fenômenos como uma corrente de acontecimentos, cujas causas são apenas pressupostas por nossa mente. Ocorre aqui a exigência de que nosso Espírito tem uma tendência contumaz em sua capacidade de nos sugerir que o Universo não é produto de um acaso aleatório, mas repousa num encadeamento inteligente de fatos que não se deram por acaso.
Um dos fatores proeminentes da noção de causa é o tempo, que escalona os fatos entre o presente, o passado e o futuro. Contudo, como já observamos, só o presente constitui a realidade concreta, tornando o Universo um lugar de ocorrências surpreendentes, inovadoras. Daí que a noção de causa se impõe como uma necessidade lógica, a partir da qual o Universo passa a ser inteligível, pois se ele existe, é porque há um Criador que o sustenta a cada momento, em função de sua precariedade.