A deôntica de nossos atos

A palavra deon vem do grego e se refere ao mundo de nossas obrigações, ou o mundo do dever ser. Dessa forma, em sentido remoto, diz respeito aos valores que o exercício de nossa vida deve seguir, se desejarmos que ela tenha sentido. Daí a diferença entre responsabilidade e responsividade, a primeira vindo de fora, a segunda, resultante de nossa vontade.

A origem de nossas preferências tem fundamento em nossa liberdade, coisa que só nosso Espírito pode produzir. Daí as características originais de nossa personalidade, imprimindo um perfil específico que ela adquire, em função de suas escolhas comportamentais. Ainda mais, as obrigações criam um sentido de subserviência ou agradecimento pelos valores recebidos da parte de alguém que se disponha contribuir na conquista daqueles valores que consideramos valiosos, auxiliando, assim, na valorização de nossa vida. Obrigar é então agradecer.

Pois que somos seres humanos interdependentes, o intercâmbio na efetivação dos valores no meio social é um processo altamente necessário na colimação dos verdadeiros motivos que devem orientar as nossas vidas. Podemos então citar como fontes orientadoras de nossos deveres comportamentais: as práticas sociais costumeiras, a educação e a religião.

No que diz respeito aos costumes, estamos hoje diante de uma transformação radical em nossos hábitos, o que demanda muita cautela no atinente aos seus benefícios, que não têm sido promissores: as famílias estão desarticuladas, os jovens estão sendo mal formados, os exemplos não são dignos de serem imitados.

No referente à educação, seria conveniente que as escolas se dedicassem mais à formação ética de seus alunos, incentivando práticas sociais comunitárias de colaboração.

Finalmente, a religião permanece como uma forma eficaz de desenvolver valores sadios, mas, infelizmente, ela tem sido relegada a uma prática ocasional, por ter perdido a sua necessidade como fundamental na sustentação de uma vida equilibrada. O fato é que a modernidade precisa novamente se reconciliar com as práticas religiosas, fundamentais na sustentação dos valores que são os mais fundamentais na vida individual e social.