Diante da infinidade de plataformas que compõem a realidade do Universo, o importante não é a dispersão de nossos conhecimentos sobre ele em setores diferenciados, mas tudo fazer no sentido de unifica-los em proveito de uma compreensão humana condizente com nossos anseios de obtenção de uma hermenêutica que inclua todos os seus aspectos.

D. H. Lawrence
Dessa forma, tudo teria início com a constatação privilegiada de que, nós humanos, somos também possuidores de uma espiritualidade transcendente que nos permite ultrapassar os limites da pura materialidade, sem a qual nossa vida seria como a de nossos parentes inferiores, que vivem ser saber o porquê de suas existências.
A propósito, cumpre-nos ressaltar a contribuição das ciências neste processo de unificação, mediante as quais nosso saber se torna cada vez mais correlacionado, pela descoberta das energias e desempenhos em seus papéis na conformação da realidade micro e macrocósmica. Acrescentando-se a isto, hoje a ciência, pelos seus avanços, já se nos apresenta disponível na aceitação de conhecimentos heterodoxos, obtidos por intuição, pela física quântica e pela teologia.
Assim, hoje, por meio do princípio da incerteza, oriundo de WERNER HEISENBERG, quando da análise do microcosmo, a existência da realidade das coisas adquire uma possibilidade não submetida a uma relação de causa e efeito, permanecendo apenas real no mundo das virtualidades, o que representa um primeiro passo na constatação de que, se não há uma Inteligência Dirigente, não há como pensar num Universo Coordenado em suas primícias.
Dessa forma, o aparecimento da ideia de um Universo autônomo e vivo em si mesmo, será o correlato natural para que passemos a aceitar o fato do panenteísmo, ou a presença de um Criador imanente no Universo, sem perder a sua transcendência, como pensou o pensador alemão KARL CHRISTIAN FRIEDRICH.
O poema de D.H.LAWRENCE chamado “PAX” expressa bem essa unidade:
Tudo o que importa é ser um só com o Deus vivo
Ser uma criatura na casa do Deus da Vida
Como um gato adormecido numa cadeira, em paz, na paz
e um só com o mestre da casa, com a anfitriã
no lar, no lar da casa do vivo, dormindo junto à lareira e bocejando
Dormindo junto à lareira do mundo vivo
Bocejando em casa diante do fogo da vida
Sentindo a presença do DEUS vivo
Como uma grande confiança, uma profunda calma no coração
Uma presença como a de um mestre sentado à mesa
Em meu ser próprio e maior, na casa da vida.