O misticismo quântico se propõe a superar as tradicionais dicotomias que afligem nossa existência: corpo e alma, bem e mal, vida e morte, espaço e tempo, matéria e espírito, substituindo-as por uma visão holística de toda a realidade, como viveu CRISTO com sua doutrina e como professaram grandes filósofos (Pitágoras, Plotino, Spinoza, Pascal, Alfred N. Whitehead, Einstein).

Amit Goswami
Semelhantemente, ao considerar a estranheza e a complexidade dos fenômenos quânticos presentes no microcosmo, os cientistas, a partir do início do sec XX, passaram a reconhecer a importância do misticismo oriental como apropriado na compreensão de muitos aspectos da mecânica quântica.
Estes aspectos são, em primeiro lugar, o dualismo onda/partícula; a comunicação à distância entre os átomos; a complementação necessária no funcionamento integrado no entrelaço dos átomos; a impossibilidade de medir simultaneamente o momento e a velocidade do elétron, etc.
Dessa forma, SCHIRÖNDINGER nos revela que ‘a dificuldade real está na multiplicidade espacial e temporal de observadores e indivíduos cognoscentes. Se todos os eventos ocorressem em uma só consciência, a situação seria extremamente simples’. Aqui ele está se referindo às discrepâncias entre os observadores para caracterizar os fenômenos quânticos, que em suas medições, envolvem suas contradições.
Ora, esta posição, característica da filosofia indiana, que tem como fundamento os Upanichades, ou seja, que todas as mentes individuais são manifestações de uma única Mente que tudo envolve (BRAHMAN), é semelhante ao o conceito de DEUS, no Ocidente. A multiplicidade das mentes é MAYA, com o significado de muitos pensares que são apenas aparentes, mas deveriam indicar uma unidade fenomenológica real.
Dessa forma, Maya nos indica que ATMAN é a consciência dividida entre sujeito e objeto, sendo causa de um dualismo ilusório pela irrealidade do pluralismo das almas e seu ambiente, pois o Absoluto, o incriado Brahman, é a realidade suprema. Contudo, só podemos alcançar este nível de compreensão por meio de um esforço místico acessível apenas por meio de uma intuição deliberada. Em conclusão, tal misticismo pode ser entendido como um monismo idealista dinâmico, cuja expressão mais fundamental é aquela provinda da cultura sânscrita: tat tvam asi, que em tradução diz Tu és isto, um todo unificado.