A vida humana consciente

A vida humana é consciente por meio da inclusão da consciência em toda a realidade, como um animismo quântico, que é a presença de DEUS na forma de Espírito. Contudo, a presença da consciência em nós apresenta como primeira dificuldade a sua relação com nosso corpo. Segundo a tese materialista, a consciência seria o resultado da natureza de nosso cérebro, pelo fato de que ela, no processo de evolução, foi surgindo paulatinamente a parir do acréscimo da massa encefálica entre as diversas raças animais.

Não obstante, há uma diferença profunda entre a materialidade de nosso cérebro e a sua capacidade espiritual, mesmo tendo sua origem num crescendo desde a animalidade, ao capacitar com sua natureza que as diversas raças animais passem a alcançar níveis cada vez mais altos em seu poder de atingir reflexos de autonomia, pois que, ao atingir a espécie humana, chegam a conscientizar nossa própria ipseidade.

Dessa forma, os conceitos abstratos humanos, como consciência, transcendência, finalidade, infinito e liberdade, se situam num nível formal que ultrapassam a capacidade orgânica de nosso cérebro, que é constituído de sinapses nervosas e que não parecem possuir naturalmente tamanha capacidade (cfr. MARKUS GABRIEL. Não sou meu cérebro. Petrópolis, Ed Vozes 2.018).

Onde, portanto, encontrar os verdadeiros motivos de tal originalidade funcionando como leit-motiv de toda a nossa cultura, criando a ciência, a filosofia e a vida social? Ora, o fundamento de tudo isso é nosso ESPÍRITO , o selo de Deus em nossa vida, o sopro divino que alimenta todo o Universo (cfr. Gen 2,7) .

O Espírito é o mais concreto fator de nossas capacidades mentais, transformando nossa vida como seres dotados de criatividade, racionalidade, sentimento e liberdade, e nos capacitando a uma demiurgia semelhante ao Criador, que nos cria a cada instante. Os cientistas têm sido relutantes em admitir o Espírito em suas proposições, como a explicação mais imediata para encontrar uma solução para os problemas que afetam o mundo macro ou microcósmico.

Pois que as reações diferenciais do microcosmo nos demonstram apenas que suas anomalias, sem perder a capacidade de passagem do micro para o macrocosmo, conservam o sentido antrópico de uma evolução que eclodiu na espécie humana. Por tudo isso, conceber a vida humana como de origem espiritual, já presente em todo o Universo, representa nosso assentimento à natureza transcendente de sua presença.