Torna-se muito fácil perceber que o Universo possui, desde as suas origens, uma estrutura consubstanciada em três dimensões, ou seja, uma estrutura energética, uma estrutura microcósmica e uma estrutura consciente, refletidos numa interligação de mútua dependência, de tal forma que uma dimensão, sem as características das demais, perde o seu significado.

Santo Agostinho
Tendo por base os fenômenos luminosos, o aspecto energético só mantem a sua atuação coordenada se houver um princípio organizador de suas potencialidades, o que nos leva a perceber que deve ter havido um substrato consciente presente desde o início da criação, disciplinando-os.
Da mesma forma, o mundo microcósmico nos parece mais como um caos, pelos aspectos aleatórios de seus saltos quânticos, o que torna evidente que, em sua globalidade como cosmos, tal não se deu pelo acaso, incapaz este de abarcar numa unidade todos os seus aspectos, notoriamente contraditórios. Para complicar, foi constatado um princípio microcósmico de incerteza que impera na dicotomia onda/partícula, que só se equilibra por meio de ações existentes fora de suas influências.
Ora, isto implica que há a necessidade do reconhecimento da presença de um princípio consciente na estrutura do Universo, sem o qual ele jamais teria chegado a se organizar, o que exige alterar nossa maneira de considerar sua materialidade, que só tem a sua consistência confirmada pelos nossos sentidos, que nos engana a cada passo, como verificou DESCATES.
Então, nossa consciência funciona sob a forma de virtualidade espiritual, o que a torna atuante como substrato etéreo diante de nossa provisoriedade sensível, permitindo que tudo passe a ser momentâneo e fugidio, tornando nossa vida uma experiência fugaz. Ora, tudo isto faz com que sejamos dóceis as influências de nossa fé, que necessita encontrar uma justificativa para tanto desencontro, diante de um Universo estranho à presença do ser humano, portador de uma espiritualidade, que procura insistentemente um sentido. Como nos assegura STO AGOSTINHO, nossa alma se encontra inquieta, enquanto não se encontra com a Divindade que a criou. Dessa forma, nossa espiritualidade se nos apresenta como participante intrínseca à realidade, não sendo apenas um acessório na estrutura essencial das coisas.