O ônus da criação

Como se pode constatar, a criação se constitui à custa de um esforço antinatural atuando na contramão da presença do nada e a novidade que ela cria a partir do surgimento cósmico submetido pela degenerescência, fruto da entropia. Representando o aparecimento de um rompimento espontâneo no equilíbrio inercial, dessa forma, ela significa o novo que luta para se constituir. O mesmo ocorre em todas as transformações químicas ou físicas existentes na Natureza, refletida no fenômeno da perda de energia, que significa o decaimento da força vital.

O mesmo ocorre no campo da cultura, na qual qualquer afirmação doutrinária gera imediatamente uma altercação contraditória, criando um ambiente de permanente discórdia, causando prejuízo à obtenção da consistência ou o equilíbrio analógico entre as partes. Dessa forma, os conflitos culturais são naturais, em função da virtualidade de nosso espírito, que permite que eles ocorram, nos exigindo sempre uma hermenêutica compreensiva, afim de que possamos alcançar uma perenidade consolidade pela verdade consistente.

No que se refere às relações do Criador com sua criatura, a chamada shequinah, palavra hebraica com o sentido de habitar, possui um sentido positivo ou negativo, dependendo da perspectiva em que é considerada. Pelo lado positivo, ela representa a glória da presença diuturna do Criador no meio de Suas criaturas (panenteísmo).

Pelo lado negativo, ela representa como DEUS necessita, para criar, sentir-se diminuído em sua soberania, por ter de resgatar as negatividades impostas à condição de suas criaturas, demandando, assim, a presença de um Redentor. Pela fé cristã, DEUS FILHO foi o preço que ELE se dispôs a pagar, para assim salvar os limites mortais de sua criação.

Na Palestina, coube a JESUS CRISTO, filho de MARIA, a tarefa de redenção de uma humanidade desorientada, cujo resultado foi a perenidade de uma graça que ultrapassou os limites da naturalidade, por ter de se constituir no sangue eterno que nos redime do pecado, garantindo a salvação de nosso corpo e de nossa alma. alcançável ao preço do sacrifício de Sua Vida, compensada pelo fato de Sua ressurreição entre os mortos. Dessa forma, o ônus da criação foi resgatado pelo fato de uma graça que nos foi concedida pela Providência Divina.