Por que as transformações quânticas são místicas? Tudo tem início com a natureza ondulatória da luz, cujos elétrons dançam no interior dos átomos de uma forma imprecisa, nas quais não temos como estabelecer a sua localização antecipada. Dessa forma, seus efeitos macrocósmicos se tornam surpreendentes, forçando-nos a apelar a motivos transcendentes, para que assim o Universo possa resultar organizado.

Niels Bohr
Por isso, a sustentação do Universo resulta como o surgimento de milagres permanentes, dos quais resultam apenas nossa admiração, cujos resultados nos espantam. Vejamos o caso do surgimento da vida, na qual gametas diferenciados, a partir de heranças genéticas dos pais, produzem um ser vivo de características híbridas, uma mágica transformadora que se situa além das condições materiais que a sustentam.
Outra característica notável de transformação foi o surgimento de diferentes substâncias que constituem o mundo de nossa experiência química, produzindo uma miríade de instrumentos dos quais conseguimos superar nossos limites, nossas doenças, mas também nossa riqueza de viver.
Por outro lado, a incerteza dos acontecimentos torna nossa vida uma aventura a cada passo, nos conduzindo aos apelos divinos que nos sustentam, como forma em manter nossa segurança e garantindo assim nossa tranquilidade. Não fosse a obtenção de nossas graças diárias nossa vida se transformaria numa aventura sem sentido.
Dessa forma, constitui um grave erro cultural restringir nossa vida apenas aos seus recursos materiais, pois essa não é a nossa condição natural como seres que, por sua condição de seres dotados de consciência, deveriam ter uma preocupação maior com seu desempenho espiritual. Nesse aspecto, as famílias e as escolas deveriam ter uma participação maior no que respeita à transformação dessa cultura materializada.
Por nossa herança quântica, somos seres dotados de liberdade, como promessas permanentes de aperfeiçoamento cultural, forçando as gerações para que abandonem as prisões de suas cavernas, como nos sugeriu PLATÃO, no livro VII de sua República. O mundo de nossa liberdade é também uma manifestação quântica, pelas vicissitudes que ela impõe ao nosso comportamento.