Armadilhas da racionalidade

Segundo PASCAL, o pensamento faz a grandeza do homem. Sem dúvida, é  o maior galardão de nossa raça, o principal fator que permitiu à espécie humana ultrapassar os seus limites naturais, diferenciando-a de todas as demais espécies surgidas sobre a face da Terra. Assim, foi a racionalidade humana que permitiu ao ser humano criar as maravilhas científicas e tecnológicas, livrando-o dos determinismos naturais, das doenças e do sofrimento corporal, mas principalmente como criador da arte, da filosofia e da religião.

Não obstante, importa que tenhamos uma atitude crítica com relação a mesma, tendo em vista o seu domínio avassalador sobre nossa consciência, tornando-a fonte de antinomias e paradoxos intransponíveis, se não tivermos uma devida cautela sobre seus efeitos em relação a nossa própria compreensão do que seja a verdadeira realidade das coisas. Continue lendo

Brasil

Eta país continente
A maioria do povo  indigente
Sem esperança e indolente
Ainda assim renitente
Mesmo estando descrente

 

De  educação pouco eficaz
Não consegue eleger gente capaz
Que fosse competente e sagaz

 

Assim, prisioneiro de condição caótica
Enfrentando situação assintótica
Resta apenas uma apoteótica
Pícara patriótica

Postulados cosmológicos

A constatação de relações, linhas e números que são padrões constantes nas pesquisas,  refletindo a condição de estabilidade presente nos diferentes fenômenos, sejam eles matemáticos, geométricos, físicos, ou biológicos, é ocorrência comum entre os pesquisadores. Como exemplos, temos na matemática o número pi, na microfísica o quantum de PLANCK, a velocidade da luz de EINSTEIN, o princípio da incerteza de HEISENBERG; na arquitetura, as proporções áureas, usadas por FÍDIAS; na biologia, os formatos na nervura das folhas (MATURANA), sempre obedecidos. Continue lendo

A beleza das formas

Como constatamos, a beleza das formas se espraia a partir de diferentes perspectivas, gerando expectativas que nos induzem a considerá-la ora harmônica, ora inspiradora, disforme ou inexpressiva, mas sempre sob a égide de um mesmo princípio, segundo o qual o Universo existe principalmente para mostrar a beleza em suas variadas manifestações. Há assim, em cada fenômeno, um enlevo místico que brota das potencialidades do Espírito, fonte de toda inspiração estética.

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Os dualismos não se opõem, se co-implicam

Nossa impressão imediata é a de que os dualismos são realidades antagônicas, opostos que se contrapõem como excludentes. Assim ocorre entre o bem e o mal, a vida e a morte, a saúde e a doença, o sucesso e o fracasso, o início e o fim, tudo parecendo contraditório. Muitas doutrinas antigas, principalmente aquelas oriundas do Oriente, a partir de Zoroastro, consolidaram uma tradição que vê nos dualismos uma oposição radical, como uma luta perene entre realidades que não se misturam. Continue lendo

O Espírito, protagonista da 4ª dimensão

Todos nós estamos familiarizados com as três dimensões de nossa sensibilidade, que nos permitem a percepção dos diferentes objetos: comprimento, largura e altura são os paradigmas lógicos que nos capacitam ao exercício de nossos sentidos corporais, moldando assim todos os contornos passíveis de serem observados.

Isto não obstante, percebemos também a existência de um universo vivo, simbólico e virtual, uma quarta dimensão da realidade que está acima de nossos cinco sentidos, moldando um mundo  abstrato  mas nem por isso menos real, que se situa além do tempo e do espaço, constituindo o universo do pensamento, das ideias e das causas, da ética e da cultura, dos valores e dos objetivos, aspirações e propósitos de tudo que existe. Continue lendo

O Espírito, fundamento da realidade

Constitui grave engano histórico este da separação estanque entre matéria e espírito, pois a própria física quântica reconhece que há entre os dois um íntimo intercâmbio, como aquele da precedência de nosso pensamento moldando as reações dos átomos. Ainda mais, que não há diferença entre matéria e energia, esta uma forma primitiva da matéria, segundo as concepções  de EINSTEIN. Da mesma forma, as estruturas biológicas são exemplos notáveis de como a matéria pode se organizar em sua variedade, instintiva e inteligentemente, promovendo as reações peculiares dos seres vivos, seus genes e seu DNA. Continue lendo

A noumênica do Espírito

A palavra grega noumenon se refere a tudo que é contrário ao phainomenon, ou aquilo que aparece, o provisório. Ao contrário, o  noumenon diz respeito ao que é essencial, abstrato e perene sob as aparências do material, sensível e instável, e no século V a.C. teve em ANAXÁGORAS  a sua caracterização como espiritual, fonte de vida e emanação do sagrado.   Assim, a noumênica do Espírito dirá respeito às suas características essenciais, às formas peculiares pelas quais Ele se manifesta. Fica fácil então observar que o Espírito, pura manifestação de essência, possui as seguintes reduções paradigmáticas: Continue lendo

Os átomos, parece que são virtuais

Contrariamente ao idealismo popular, que apregoa a virtude dos nobres ideais, o idealismo filosófico defende o primado das ideias na conformação da realidade, como propôs PLATÃO desde o século IV a.C. ou mesmo DESCARTES, já no início da era moderna (cogito, ergo sum!). Posteriormente, o sacerdote irlandês Jorge BERKELEY (1685-1753) nos deixou a expressão célebre ser é perceber ou ser percebido, ou seja, o primado é da consciência  sobre tudo que aparece.

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Através da revelação, a morte não é o fim

A morte tem a aparência de um fenômeno natural, mas pelo grau de sua relevância, só encontra solução através de perspectivas religiosas, de forma a superar as frustrações  causadas pelo seu aparente radicalismo, o término da vida. Pois é por força de seu Espírito que o ser humano consegue avaliar o verdadeiro sentido da morte, como algo que ele não deseja, mas que se encontra inserido num plano transcendente de pecado e salvação.

O cristianismo sofreu as influências remotas do judaísmo, cujos profetas, desde épocas remotas, nos asseguram as preocupações divinas com relação aquilo que nos atinge: “O Senhor, pois, é aquele que vai adiante de ti; Ele estará contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te espantes” (Deut, 31,8). Se DEUS participa de todas as coisas e está em nossa companhia, se Ele vive no interior de nossas  consciências, a morte fica irrelevante diante de tão alta dignidade patrocinada pela crença. Esta garantia nos dá conforto e a certeza de que a morte está inserida nos planos redentores da criação. Continue lendo