Podemos nos referir ao surgimento da vida ao que o Gênesis nos expõe no Antigo Testamento: ‘nas trevas do abismo, o Espírito de Deus pairava sobre as águas’, pois Ruah é o espírito feminino a gerar o parto do Universo. De fato, como uma gigantesca explosão, o cosmos surge das entranhas do vácuo, em forma primitiva de luz e energia, sendo posteriormente povoado por centenas de coisas animadas e vivas. Dessa forma, pela herança bíblica, podemos nos certificar que a vida está in nuce em todo o Universo, como um possível que por sua existência, implica eo ipso um ser necessário, como diria LEIBNIZ.
A mística no caminhar
Como manter a sanidade, num mundo cada vez mais insano? Esta pergunta, presente no subconsciente de todas as pessoas que possuem lucidez, representa um desafio complexo cujos parâmetros de solução não estão mais nas mãos da coletividade, mas sim na atuação de cada pessoa em particular. Daí, nossa responsabilidade em contribuir para que seus efeitos prejudiciais não se tornem tão nefastos.
Consciência e Espírito
Todos os fenômenos que o ser humano observa na Natureza têm aparência virtual, em função de sua origem quântica, pois é assim que as coisas se estruturam, a partir de sua conformação atômica, o microcosmo. Em seguida, este, organizando o macrocosmo, condiciona a realidade que observamos conservando as mesmas características. Ora, o universo abstrato da consciência e do espírito não tem como fugir desse determinismo, com o acréscimo de serem transcendentes, ocupando uma dimensão superior.
Oração do companheiro
Eu tenho um amigo
Que está sempre comigo
E diante do perigo
Me acolhe em seu abrigo
Sua presença é virtual
Mas muito real
Livrando-me do mal
Com seu poder divinal
A anfibolia do mal
Há uma tendência imprópria a atribuir ao espírito a ocorrência de coisas ruins, em função da existência de espíritos malignos (Leonardo BOFF, O Espírito Santo, Ed Vozes, RJ, 2013, p.77). Não obstante, é oportuno realçar que o mal não é ontologicamente substancial, e como ausência do bem, é resultado de uma atitude maniqueísta de nossa experiência consciente, que atribui realidade a algo que é apenas a contraposição de aspectos dialéticos. Continue lendo
Holograma do Espírito
HEGEL, pensador alemão (1770/1831), a partir do exame das manifestações culturais criadas pelo ser humano, em seu livro clássico Fenomenologia do Espírito, conclui que o Espírito é um conceito síntese de uma realidade concreta que alcança todas as dimensões de nossa existência e que se apresenta dialeticamente ora como espírito subjetivo, em nossa consciência; ora como espírito objetivo, nas instituições sociais; e como espírito absoluto, que abarca o mundo transcendente da mística e das religiões. Assim, constituindo-se como um verdadeiro holograma, o Espírito passa a ser o fundamento mágico através do qual a realidade humana se manifesta, não havendo forma de ignorá-lo, sob pena de termos de eliminar tudo que a inteligência a nós se revela, uma realidade imanente e transcendente a fundamentar a cosmovivência.

A eternidade do tempo
Segundo o filósofo pré-socrático grego HERÁCLITO de Éfeso (540-470 a.C), os paradoxos fazem parte intrínseca ao nosso pensamento, como consequência da existência em nós de uma capacidade espiritual que ultrapassa a lógica natural das coisas, levando-nos a conjecturar sempre sobre os dualismos e as complementaridades que envolvem as aparentes oposições. Assim, são comuns as interrelações entre o bem e o mal, a vida e a morte, o acaso e a necessidade, a saúde e a doença, determinismo e liberdade, etc. Contudo, a presença universal de um LOGOS conciliador mantém o equilíbrio das oposições, sustentando assim a eternidade das transformações. Continue lendo
A cultura da morte
SIGMUND FREUD, médico austríaco que viveu no sec XIX e foi o criador da Psicanálise, resolveu apelar para a mitologia grega para explicar o que ele chamou de pulsão para a morte, ou seja, um desejo mórbido que o ser humano possui diante do fenômeno, corporificado na oposição entre Eros x Thanatos, a contrapartida inconsciente do desejo de viver. Não obstante, se este desejo pode ser constatado facilmente nos gurus do Oriente, que vivem esperando apenas morrer, para nós no Ocidente ocorre o contrário, onde todos se apegam à vida de forma sistemática. Continue lendo
Arquitetura antrópica do Universo
O ESPÍRITO, ao criar o Universo, dispõe-no em algumas dimensões diferenciadas, os arcabouços reais e mentais que o constituem. Estas dimensões são comuns a todo o orbe universal , formado pela superposição de um triângulo encimado por um quadrilátero, dando origem ao já famoso número sete, aquele místico da cabala judaica. Assim, tais paradigmas são o ponto, a linha, a angulação, a superfície, o volume, a transformação e as formas, ou seja, uma estática e uma dinâmica que funcionam como sístoles e diástoles no espaço e no tempo. Esta complexidade deve abarcar uma lógica dentro da qual tudo se altera, mas permanece o mesmo, mantendo sua estrutura virtualmente estável.

Coronavírus e seus abalos culturais
Torna-se incrível como uma pandemia, tendo origem num micro-organismo inconsciente, pudesse causar tantas transformações em nosso modo comum de viver. É como se todos nós fôssemos abalados, de repente, por uma ameaça invisível, mas mortífera em seus efeitos. E, de súbito, pudéssemos perceber como é frágil nossa existência terrena, que mesmo em sua aparência estável, pudesse ser interrompida de forma tão despicienda.