PLATÃO – Excerto de A República (livro X)

Platão pretende discutir arte, moral e filosofia na última parte de sua República, iniciando pelo debate sobre criatividade e imitação, ambas produtos da ideia que se tenha de uma paisagem ou de uma mesa. Sem dúvida, a ideia da coisa, criada por Deus, recebe diferentes tratamentos, seja do artista ou do carpinteiro, condicionando, portanto, o estilo imposto à obra.

A arte teria alguma finalidade, além da estética? Sim, porém de forma subsidiária, como aperfeiçoamento das pessoas e da cultura.

PLATÃO – Excerto do Diálogo Hípias Maior

O objetivo de Platão é discutir sobre a natureza do belo. O diálogo começa com uma conversa entre Sócrates e Hípias, o primeiro relatando a interferência de um interlocutor perguntando a Sócrates qual o critério para reconhecer entre o belo e o feio.

Em sua pretensa ignorância, Sócrates apela a Hípias que o ajude a caracterizar o que são o belo e o feio. Iniciando o debate, Sócrates pergunta se o justo não é obtido pelo conceito de justiça, o mesmo não ocorrendo pelo belo, obtido pelo conceito de beleza.

Sócrates pergunta se todas as coisas belas não são apenas aparências do que é belo em si, que deixa belas todas as coisas.

THOMAS HOBBES – Leviatã

Para entendermos o espírito do LEVIATÃ de HOBBES, temos que situar a situação política da Inglaterra no século XVII, abalado pela tentativa de OLIVER CROMWELL de estabelecer a república, pela primeira vez, naquele país, cujo resultado foi o assassinato do rei Carlos I, monarca do qual HOBBES havia sido preceptor.

Assim, segundo HOBBES, a humanidade vive em duas situações: o estado de natureza (status naturae) e o estado de sociedade (status societatis), sendo que no primeiro vigora a lei da guerra de todos contra todos (bellum omnium contra omnes), como nas sociedades primitivas ou em beligerância. Já para viver no estado de sociedade, esta efetua um contrato, no qual todos abdicam da anarquia, pela concessão da soberania a um chefe, absoluto, tornando os demais seus súditos, como garantia de paz.

No LEVIATÃ, o Estado é entendido sob a forma de um monstro marinho, citado no Antigo Testamento, no qual HOBBES pretende que a paz social só será garantida através deste modelo, pois não há outra forma de conter o desregramento das pessoas e da sociedade.

Eis-nos diante de uma atitude pessimista em torno da vida humana em sociedade (homo homini lupus), o homem é o lobo do homem ), e por isso se tornam justificáveis as formas de governos autoritários, antípodas de qualquer sentido democrático, o que o coloca, sem dúvida, como um representante do absolutismo governamental.

Fracassada a revolução de CROMWELL, a Inglaterra só pode conseguir relacionar-se pacificamente com o Parlamento em fins do século XVII, com o acordo célebre assinado na Catedral de Westminster, no qual o Rei reina, mas não governa, o modelo de parlamentarismo monárquico vigente até hoje naquele país.

Verificamos, portanto, que a obra de HOBBES deve ser considerada vinculada a seu tempo, o que representa um sério obstáculo em sua autonomia.

TALES DE MILETO – Doxografia

Na ausência de dados concretos sobre a vida e a obra do primeiro filósofo grego, o texto nos brinda com uma doxografia (de doxa, opinião), ou seja, diversos comentários de alguns filósofos posteriores sobre o mesmo. Assim temos:

ARISTÓTELES: Para este filósofo, os chamados pensadores pré-socráticos tiveram como preocupação o estabelecimento de um elemento ou princípio físico que pudesse dar explicação para o surgimento de todas as coisas (arqué), que para TALES era o elemento água, depois de ter observado que tudo na Natureza contém alguma forma de umidade. Depois, no opúsculo Da Alma, comenta o fato de que TALES pensava que tudo está cheio de deuses (hilozoísmo), a partir do movimento de tudo, como a pedra imantada que atrai o ferro.

SIMPLÍCIO: em sua Física, comenta o fato de que, para Aristóteles, os físicos pré-socráticos foram deficientes em submeter a causa de todos  os fenômenos a um princípio sensível, como fez TALES ao observar que tudo contém uma forma de água.

CRÍTICOS MODERNOS

GEORG FREDERICO HEGEL: Comenta que a filosofia começou estabelecendo absolutos, depois de divinizar todos os objetos, considerando-os sagrados, como deuses. Ora, sobressumir os fenômenos, considerando-os como um em-si e para-si é uma exigência singular de nosso espírito, que deseja  superar a constante transformação das coisas , o que constitui o motivo de fundo para todos os pensadores. O erro de TALES foi considerar um elemento físico como algo universal, abstrato.

FRIEDRICH NIETZSCHE considera razoável e próprio que TALES tenha considerado a água como princípio universal, por três motivos:  primeiro, porque esta proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; em terceiro lugar, porque nela está contida, em gérmen, a expressão “Tudo é Um”. Ora, isto faz de TALES o primeiro filósofo grego, porque estabeleceu, pela primeira vez, um princípio que não é apenas de natureza científica, mas que caracteriza, de forma especial, o pensamento filosófico: a superação da empiria, a todo custo.

Nietzsche comenta o feito extraordinário de Tales, ao superar uma verdade que não é apenas simbólica, mas que guarda uma relação empírica com os fatos, demonstrando ser não-místico e não-alegórico, o que era comum em seu tempo. Como astrônomo, foi um observador frio do Universo, um verdadeiro sábio (de sapiens, degustador), a arte peculiar do filósofo.

Reflexões sobre a quarta dimensão

A ideia de dimensão não faz parte da Natureza, mas é um produto de nossa atividade mental, que sintetiza uma acuidade em perceber a superfície dos objetos. Dessa forma, torna-se possível a distinção de uma miríade de dimensões em cada observação, sendo que tradicionalmente vivemos envolvidos em três dimensões, distinguíveis pela geometria: ponto ou  linha, plano horizontal (largura), e altura ou profundidade. Não obstante, segundo a teoria das cordas, na microfísica, os átomos se nos apresentam em onze dimensões diferentes (sic).

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Visões do reino divino

O apelo de CRISTO em sua oração ao PAI NOSSO, invocando a vinda de Seu Reino, em cumprimento a Sua Vontade, faz uso de parábolas para explicar a natureza de Seu paraíso (Mt, 13). A intenção é realçar os  aspectos milagrosos que circundam a criação, mas principalmente alterar as condições naturais com que estamos acostumados a sentir a eclosão das coisas e dos acontecimentos, antes de uma forma objetiva, natural  e independente de nós.

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O império do terror

A pós-modernidade tem vivido sob o impacto cruel do terror. Não há mais segurança para ninguém, depois que inventaram as redes sociais e o surgimento de comunidades virtuais incontroláveis em seus propósitos maléficos. Foi isso que motivou a ação ‘heróica’ dos dois jovens de Suzano, que perdidos em seus propósitos de vida, resolveram matar pessoas inocentes, tornando-se assim distinguíveis pela sua ousadia.

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A holística do Espírito

Uma teoria que envolvesse todos os aspectos complexos que abarcam a realidade teria que dar  explicações de como tudo se relaciona, desde o Big Bang  até a formação dos planetas ou da matéria relacionada ao fenômeno da  evolução, gerando a eclosão da vida; ou como se relacionam as quatro forças que comandam o Universo da matéria, ou seja, a gravidade, o eletromagnetismo e as forças nucleares forte e fraca. Ora, constata-se que isto dificilmente pode ser alcançado, restando apenas aos cientistas o recurso a perspectivas não ortodoxas, ou seja, uma interpretação holística virtual de como tudo se manifesta.

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Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma

A expressão clássica de Antoine-Laurent LAVOISIER (1743/1794), o mágico da química moderna, necessita de alguns comentários hermenêuticos, provenientes  da importância de suas correlações. Sem dúvida, quando LAVOISIER diz “nada se cria”, está se referindo ao fato de que do nada, nada se cria, havendo sempre a necessidade da presença de pressupostos anteriores que determinam os acontecimentos, como ocorre dentro das reações químicas. Da mesma forma, aplicado este princípio a toda a Natureza, temos de recorrer a ARISTÓTELES, que nos afirma que na ordem antecedente das causas, não podemos regredir ao infinito, tendo que parar numa primeira, fundamento da série, sob pena de anular toda a sucessão posterior. Continue lendo

Que são ressonâncias mórficas

O conceito de ressonâncias mórficas foi criado pelo biólogo inglês RUPERT SHELDRAKE (1942), depois das mais recentes descobertas das ciências físicas, como forma de explicar as novas realidades comprovadas no campo da holografia e da teoria quântica, que nos apresentam a realidade de uma forma completamente diferente daquela herdada pelo materialismo dos últimos dois séculos.

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